A busca pela Paz

 

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A paz de espírito não vem da realização das vontades do ego encarcerado nas masmorras do egoísmo do mundo material. Todo aquele que busca a paz, a associando com o ócio e a inação, somente semeará o caos em suas jornadas futuras.

A humildade e a abnegação são as únicas moedas capazes de permitir que se adquira a paz. Observe o silêncio sepulcral das Calungas pequenas deste orbe, observe que o despojamento das carnes constituintes da roupagem física, jogam por terra tudo aquilo que antes era distinção entre os carnados. Se a beleza era o tesouro carregado pela criatura que agora jaz nas tumbas que dividem os Reinos do Vivos e dos Mortos, agora esta desapareceu, dando lugar apenas a um amontoado de ossos que nada guardam relação com os belos traços cultivados nas mesas dos melhores cirurgiões do planeta, a custa de grandes somas de dinheiro.

Se o valor ostentado na busca pela paz no mundo material mostra-se nas belas indumentárias de grandes grifes do plano terreno; após ganharem a derradeira morada, os despojos carnais que nos serviram temporariamente de ferramenta para promoção do progresso nosso e do próximo agora tornam-se em faldas de túnica cadavérica que se desfazem junto com a decomposição da matéria física.

Se a paz fora projetada nos bens materiais que foram adquiridos pelo indivíduo apenas para alimento dos anseios do ego, esta não mais estará disponível para os passageiros da Barca de Caronte. Prova-se isso nos entulhos sobreviventes dos túmulos faraônicos da antiga nobreza egípcia. Por mais que a crença daquele período votasse utilidade no post-mortem para o espólio deixado em terra, tudo permaneceu intocado no mesmo plano do corpo de carne, muita vez atando o passante em seus próprios pertences, à guisa das amarras das próprias ataduras do processo de preservação dos invólucros físicos.

Portanto, nem a beleza, nem as vestes fidalgas, nem as posses são capazes de fornecer a paz que só pode ser alcançada por aquele que já se conformou à perenidade única da essência espiritual UNA em completo detrimento à todas as outras formas de manifestação do ser que se põe na situação de estar, para descobrir aquilo que ele ainda não é.

Cultiva o Ser, perene, real, divino e capaz em si mesmo e no Todo, sem encostar sua fé, sua vontade de realização em si mesmo, nas ferramentas temporárias que o Criador nos empresta para servir de instrumento pedagógico nos estágios nos planos mais densos. O mesmo vale para toda materialidade ilusória que projetamos nos falsos marcos que fingem ilustrar a experiência humana. Reconhecimento, títulos, balagandãs ou penduricalhos que marcam conquistas ilusórias, alimentando Maya e tornando-a mais faminta e mais sedenta, só geram infantilização do ser que dá mais valor às efêmeras conquistas, muitas vezes hipócritas do plano dito material.

Invista, também, nas conquistas perenes do espírito, invista nos tesouros da alma, quer seja em um corpo forrado de carne, seja em um saco de ossos largados em um esquife, pois nunca se perderão, por serem as conquistas perenes do espírito, ferramentas que o guiarão até o mais distante da sua jornada sideral de retorno ao Cosmo, que é Uno no Todo, e contido no Todo do qual se mostra Uno.

Siga em frente, marche, com ou sem corpo, com ou sem ilusões, estamos com nossos ossos para testemunhar que a misericórdia do Pai é para com todos.

Tata Caveira
(psicografado por Leonardo Perin Vichi)